terça-feira, 27 de setembro de 2011

Por que seria surpresa saber-me engenheiro e escritor?



Porque nas sociedades em que vivemos,em nosso cotidiano, transferimos nossas expectativas e limitações de compreensão da possibilidade de completude do outro para este outro. É uma estratégia de sobrevivência presente em toda a humanidade. Quanto menos o conhecemos mais lhe projetamos nosso desconhecimento, completando estas lacunas com a construção ficcional que nos pareça - e não necessariamente seja - mais agradável. Eis que este ato ficcional nos dá prazer, enquanto que admitir o desconhecimento,ou reconhecer a realidade diferente do que imaginamos, nos amedronta. Por esta razão, vivemos imersos em estereótipos que servem bem a este propósito de preencher o vazio perceptivo com (supostas) verdades plausíveis.

E tal é tão comum que, não raro, me deparo com comentários do tipo:

- E você... engenheiro, escritor...e de literatura infantil?!


Parece-lhes absurda tal possibilidade. E erram feio, em dois pontos:

a) por assumirem postura completamente estereotipada, como se engenheiro não pudesse ou não fosse apto a escrever, e ainda mais para crianças (e não somente para estas);

b)por me rotularem primeiramente como engenheiro e não como escritor.


Mal sabem que, não só em mim, como em tantos outros casos similares,este nasceu antes daquele. Neste sentido, seria surpresa saberem-me escritor e engenheiro?

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